Operação contra corrupção na Polícia mira 46 suspeitos, entre eles dois delegados

2018-08-30


Operação contra corrupção na Polícia mira 46 suspeitos, entre eles dois delegados

A Subsecretaria de de Inteligência da Secretária de Segurança do Rio e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, realizam, na manhã desta quinta-feira, a segunda fase da Operação Quarto Elemento, contra a corrupção dentro da Polícia Civil. Entre os 46 denunciados, há 24 policiais civis (quatro deles já presos), seis policiais militares, dois bombeiros, um agente penitenciário e outras 15 pessoas que atuavam como informantes ou ajudantes dos policiais.  Trinta e três mandados já foram cumpridos. Entre os alvos, estão dois delegados.

O delegado Rodrigo Sebastian Santoro Nunes e seu braço direito Delmo Fernandes Baptista Nunes, chefe do setor de investigações, eram considerados o mais alto escalão da organização criminosa, denominado “Administração”. Rodrigo mora na Taquara, na Zona Oeste, mas não foi encontrado em casa. Ele está na polícia desde 2001 e já trabalhou em unidades como a 34ª DP (Bangu), 36ª DP (Santa Cruz), DPCA de Niterói, e Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). Atualmente, ocupa um cargo administrativo dentro da Polícia Civil. Ele já é considerado foragido.

Outro delegado com papel importante no esquema era Thiago Luis Martins da Silva. Ele se entregou na 5ª DP (Mem de Sá). Thiago, atualmente, era o titular da Central de Garantias da Polícia Civil. Ele entrou para a Polícia em 2013 e já trabalhou na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Niterói.

De acordo com o MP, Rodrigo Santoro e Delmo Fernandes gerenciavam, fiscalizam e recebiam os lucros financeiros do grupo. A atuação de Thiago Luis ocorria quando o “bote” não era acertado no local da abordagem. O alvo então era levado para a delegacia e apresentado ao delegado Thiago Luis, que tentava convencer a vítima a pagar propina, ao dar credibilidade às ameaças feitas pelo grupo.

O esquema teve início na 34ª DP (Bangu), mas quando houve transferências dos policiais envolvidos, foi praticado na 36ª DP (Santa Cruz) e, depois na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) de Niterói.

SEIS PRESOS NA PRIMEIRA FASE DA OPERAÇÃO

Na primeira fase da Operação Quarto Elemento, quatro policiais civis e dois informantes foram presos. Os policiais civis Rafael Ferreira dos Santos, Carlos Tadeu Gomes Freitas Filho, Xavier Fernandes Coelho e Delmo Fernandes Baptista Nunes foram denunciados pelo Ministério Público por organização para atividade criminosa, extorsão mediante sequestro, usurpação de função pública e corrupção. Segundo a denúncia, a organização criminosa atuava impondo extremo terror. Respondem pelos mesmos crimes os informantes Fabio Rodrigo da Silva e Raphael Nonato dos Santos, conhecido como Lango.

O esquema teve início quando os policiais eram lotados na 36ª DP (Santa Cruz) e continuou após a transferência do grupo para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Niterói, a partir de maio de 2017. Em muitos casos, a vítima da extorsão era levada para o interior da delegacia, sob o pretexto de ter sido flagrada praticando algum crime. Os policiais e os informantes ameaçavam e, em alguns casos, até agrediam fisicamente as vítimas para exigir delas e de seus familiares altas quantias em dinheiro em troca de sua liberação.

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